domingo, 14 de novembro de 2010

Viver ou Respeitar

Sim.
Fico em dúvida se vivo ou se respeito.

O sangue escorre do meu nariz e mancha minhas mãos.
O líquido espesso e avermelhado me constrange. Me sinto corrupto e sujo.
Aquilo que me mantem vivo me incita a morte, ou a matar.

O ódio já não mais satisfaz. É passado, é natural, faz parte de tudo mesmo não sendo constante. Não há sentido, não há sentir. Só há vida inerte na ausencia do ódio.
As lágrimas salgadas que escorrem dos meus olhos são de raiva. Porque homem não chora.
Homem fica irado e parece que chora. Chora de raiva. Mas chorar? Não!
O orgulho é mais forte que qualquer argumento. Em meu ser sou ditador.

A tirania reina e nem anjos nem inferno movem essas montanhas.
Hoje não vejo horizontes, só um mar vermelho.
Um mar vermelho em minhas mãos corrompidas. Sinto o pigmento.

Por mais que eu insista, ainda respeito a vida. Mas viver? Não, isso não é comigo.
Deixo o sangue escorrer...


"-Ótimo! As notícias não poderiam ser melhores - responde Lady Macbeth, e dispensa o serviçal. O fluxo dos pensamentos é inevitável:
'Até o corvo está rouco de anunciar a entrada fatal de Duncan debaixo de meu Teto...Bloqueiem o acesso e a passagem do remorso, tornem meu sangue mais espesso, de modo que nenhum escrúpulo natural me faça hesitar em meus propósitos. Que nada se interponha entre o plano e a execução!...onde quer que vocês estejam, espreitando para realizar a substancia do mal que a natureza lhes propicia! Venha, noite espessa, envolta na escuridão mais tenebrosa dos infernos, para que meu punhal afiado não enxergue as feridas que irá fazer, nem o céu possa gritar, espiando entre a cortina de trevas: Pare, para! ' "

                                                                  (Macbeth, por W. Shakespeare, 1564-1616)

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