domingo, 19 de dezembro de 2010

No Teatro, Na Vida...

Que nada faça tanto sentido,
Que a lucidez se desvirtue,
Que a maldição se dissipe,
Assim como uma obra de arte pintada durante horas é destruída pelo proprio pintor,
consagrando no encerramento a ferocidade da emoção e o dom artístico.

Um artista não se preocupa em conseguir, se preocupa em ser.
A natureza emerge impiedosamente e transborda a essencia desfigurada em meio a realidade.
Um toque, um gesto, um pedaço de pão.
O que for de ser será.

As trombetas e tambores tocam harmoniozamente numa marcha rítmica e com fervor.
Por que o som é memória.
A peça não é compreendida até que se fechem as cortinas, assim como a melodia tambem não,
até que soe a última nota.

De uma forma ou de outra os arrojos do ser invadem o senso comum vertendo jarros de emoção.
Impregnando e inserindo uma dúvida cruel.
O personagem chora porque fica triste ou fica triste porque chora?

E nós? Por que amamos, criamos guerra e nós matamos? ou matamos?

Se o ato corresponde a capacidade de ser,
então atuar é a melhor forma de criar um circo de emoções.
Malabaristas, apaguem suas tochas. Por hoje é só.

Para quem pensa que a peça terminou,
é levando minha mala prata para casa, com nariz de palhaço e a cara pintada que começo a viver.

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