E aquele rosto que era feito de pó.
Em pó ficou.
Sereno como poeira sobre os móveis.
Nunca mais o vi.
Saiu da cidade, se perdeu pelo mundo.
Ouvi dizer que está bem, assim espero.
O apartamento ainda tem o mesmo cheiro de antes,
mas tem um pouco de mofo pairando no ar.
Sentada nesse chão me lembro:
"Quantas figurinhas você tem?" Ele disse.
E eu nem sabia contar.
Eramos crianças. Ai, que saudades.
Tempos bons que ficaram na memória.
Como é bom poder me lembrar, e da nossas brincadeiras na adolescencia.
Passando a madrugada em claro. E papiando até o sol raiar.
É. Eu não queria ter voltado aqui.
E nem ter me lembrado de nada disso.
Mas aqui estou e me lembrei.
Até que não foi tão ruim relembrar.
(Ela sorri de lábios fechados, passa o dedo sobre um móvel retirando a poeira e retira-se do aposento em passos lentos, deixando a porta semi-aberta.)
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